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ROTEIRO DIDÁTICO - LABORATÓRIO DE HISTÓRIA ORAL (LAHO)
Para trabalhar com método biográfico faz-se necessário:  

1. Elaborar cuidadosamente um roteiro orientador para a coleta dos depoimentos tendo por base as informações captadas a partir destas fontes e seguindo a ordem apresentada:  
- bibliografia científica e leiga sobre o assunto a ser focalizado;  
- entrevistas informais realizadas com pessoas que tenham vivenciado ou tenham  sido contemporâneos aos fenômenos que queremos estudar;  
- assistência a filmes, vídeos, áudio visuais, que focalizem o fenômeno a ser pesquisado;   
- leitura de obras literárias que focalizem de alguma forma o fenômeno a ser pesquisado;  
- contato com pesquisadores que estejam trabalhando o tema ou temas afins.  

2. Utilizar desde o início da pesquisa a ajuda do instrumento Diário de Campo que deve ser elaborado diuturnamente registrando impressões, dicas, orientações e informações que nos sejam passadas das mais diferentes formas, desde a fase inicial do trabalho, em contatos profissionais e informais. Pedir ao auxiliar de pesquisa que elabore também seu Diário de Campo.   

3. Elaborar sempre durante a coleta do depoimento, a Ficha do Informante onde deve constar necessariamente as seguintes informações:  

Nome do Informante e Apelido  
Data de Nascimento  
Escolaridade  
Profissão no presente e no Passado  
(quando, geralmente, vivenciou só fatos que nos interessam)  
Escolaridade dos Pais  
Local de Residência  
Observações Complementares  

É aconselhável captar tais informações ao fim da gravação do depoimento, para evitar processos de intimidação do informante.  

4. A Coleta de material: deve ser feita em fita K7 de 60 minutos, usando gravador com microfone embutido ou de lapela e a fita deve ser enrolada no gravador antes da entrevista, para evitar velocidades diferentes entre a fita e o gravador.   
Se a proposta é utilizar a gravação em produtos futuros (vídeo ou CD rom) aconselha-se gravador digital que garante som de melhor qualidade.  

A coleta deve ser em dupla, preferencialmente em lugar indicado pelo informante, que seja calmo para não haver interrupções.  

O auxiliar da pesquisa se ocupa da aparelhagem (gravador, fita, microfone de lapela, do fio de extensão, etc.) enquanto o pesquisador se concentra na relação com seu informante, demonstrando contínuo interesse e realizando as perguntas certas nos momentos chaves.  

5. Registros paralelos sobre a situação de coleta da entrevista devem ser feitos pelo pesquisador e pelo auxiliar de pesquisa, em seus diários de campo, descrevendo o clima geral da entrevista, as interrupções, a disponibilidade ou não do entrevistado em conceder o relato, seus sentimentos durante a coleta, etc.  

Tais registros devem ser feitos logo após a realização da entrevista para que nenhum detalhe seja esquecido, os quais serão úteis na fase posterior de análise dos relatos.  

6.Uso do vídeo para registro de depoimento. É desaconselhável, a não ser que haja um longo contato anterior entre entrevistador e informante criando clima de muita confiança e permitindo que a presença da câmera de vídeo não venha tolher a espontaneidade do relato oral.  

O vídeo pode ser realizado, depois de várias sessões de coleta de depoimento oral, em novo depoimento, não excedendo 10 minutos e versando sobre aspectos do tema que dominam melhor.  

7. Duração das Sessões de Coletas de Depoimentos – Não devem exceder uma hora e meia, pois após esse período tanto entrevistador como informante se cansam e o rendimento decai  nitidamente. É aconselhável, sempre que necessário, marcar novas sessões, ao invés de alongar o período de cada uma delas.  

É aconselhável ouvir-se detidamente a gravação da 1ª entrevista antes da realização da 2ª, anotando pontos duvidosos e lacunas nas informações para completá-los na 2ª sessão de coleta de material.  

8.Transcrição dos relatos  

O trabalho de transcrição das fitas gravadas deve ser realizado, preferencialmente, pelas mesmas pessoas que coletaram os depoimentos.  

Deve-se manter no texto escrito todas as informações  constantes da gravação: erros de gramática, entonação de voz, gírias, dúvidas titubeios, expressões coloquiais, gaguejos, silêncios, emoções, etc. Deve-se escrever entre parênteses essas informações ou desenvolver um código de sinais para indicar esses pontos, os quais serão relevantes para a análise posterior do relato oral.  

A transcrição deve ser digitada em computador, a versão original arquivada, trabalhando para efeito de análise do relato com arquivos paralelos à transcrição.  

É sempre útil que, tanto o auxiliar de pesquisa. Quanto o pesquisador revejam cuidadosamente o texto transcrito para captar todos os detalhes do mesmo e corrigir alguma possível má compreensão da fala do informante.  

9. Organização dos Dados Coletados  

Os dados constantes das entrevistas ou depoimentos serão fichados por temas.  

Esses temas serão aqueles constantes do roteiro orientador acrescidos de outros, muitas vezes inesperados e originais, introduzidos pelos próprios informantes e incorporados ao roteiro inicial pelos pesquisadores.  

Nessa fase o pesquisador precisará ler o texto das entrevistas, seguidas vezes, para ser capaz de definir os diferentes temas que o informante aborda em sua fala. Esses temas são anotados  nas margens do texto que depois será, via computador, transformado em vários arquivos temáticos.  

Os diferentes trechos serão parte de um arquivo contendo o nome do tema e anotando, antes de cada trecho incorporado, o nome do informante e a página da entrevista de onde ele foi retirado. Para realizar essa organização segue-se a ordem de realização das entrevistas, aparecendo em cada arquivo as falas do 1º, 2º e 3º entrevistado, na ordem em que foram coletadas.  

Um mesmo trecho de entrevista poderá conter informações interessando a um ou a mais arquivos temáticos. Ele deverá constar de cada um dos diferentes arquivos  para poder ser analisado sob diferentes enfoques.  

Esse fichamento deverá ser feito via computador, pois a transcrição já é feita em micro. Se utilizará  então o recurso da palavra-chave (de cada um dos temas) para fazer a busca (search) no texto computadorizado. A escolha da palavra chave é de importância fundamental, pois ela deverá espelhar, da melhor forma possível, o tema constante no arquivo.  

Ao final do trabalho se terá uma quantidade considerável de arquivos temáticos, abordando temas variados e contendo as várias informações a respeito do mesmo, fornecidas pelos diferentes informantes em seus depoimentos orais.  

10. Análise dos Dados Coletados  

 A análise final se fará por temas, comparando as informações e abordagens que possuímos anteriormente, resultantes da bibliografia, das leituras e dos contatos realizados com a versão fornecida pelos diferentes informantes entrevistados. Se na pesquisa as imagens fotográficas foram incorporadas como dados então elas também depois de analisadas farão parte dessa comparação de dados empíricos.  

Nessa comparação aparecerão confirmações, negações, novos dados e novas maneiras de enfocar a realidade que deverão ser interpretados pelos pesquisadores, tendo como pano de fundo o contexto social mais amplo, onde os fatos aconteceram, contexto esse fornecido pela bibliografia de apoio utilizada na pesquisa.  

11.Elaboração do Roteiro Final  

 O relatório final de pesquisa será elaborado de maneira mais fácil, seguindo a ordem temática organizada dos dados coletados e através do método comparativo que é o método fundamental das Ciências Sociais.  

Se imagens fotográficas coletadas pela pesquisa foram integradas à esse relatório elas deverão aparecer na página onde seu conteúdo é citado e interpretado e não em anexos centrais ou finais, porque, na segunda forma serão simples ilustrações e não dados relevantes de pesquisa. 

DECISAE - Faculdade de Educação - Unicamp
    
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