Margareth Brandini Park
Fernanda Mandetta


Localização do Distrito:

O Distrito de Joaquim Egídio situa-se na porção leste do município de Campinas - SP, distando 15 km do centro campineiro e estabelecendo limites com os municípios de Morungaba, Pedreira e Valinhos.

O Distrito compreende uma área aproximada de 11% do território campineiro, com 89,250 km2. Conta com uma população aproximada de 5.000 habitantes, sendo 40% da população residente na área urbana e 60% na área rural.

Além do pequeno núcleo urbanizado, apresenta uma estrutura fundiária composta por 25 fazendas de médio a grande porte, com terras desmembradas em sítios e chácaras.

A produção agropecuária é a atividade econômica principal, sendo que os cultivos de café e culturas de subsistência, a criação de gado e a piscicultura são largamente desenvolvidos.

Os importantes mananciais hídricos responsáveis pelo abastecimento do município encontram-se nesse distrito com os rios Jaguari e o Atibaia, este último responsável por 80% do fornecimento da água que abasteçe a cidade de Campinas. A paisagem natural compreende remanescentes da Mata Atlântica.

O Decreto Municipal de número 11.172, de maio de 1993 criou as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) de Sousas e Joaquim Egídio, estabelecendo critérios e normas legais para o uso e a ocupação do solo além de proteção e recuperação do patrimônio existente no local. A APA de Sousas e a de Joaquim Egídio (Campinas-SP) abrangem uma área de 223 km2 e representam aproximadamente 28% da área dos municípios de Campinas. Essa região possui 48% dos remanescentes vegetais do município de Campinas, onde podemos encontrar espécies importantes da flora e fauna brasileira.

Em 1978 aprovou-se um decreto do vereador Mauro Daher proibindo a instalação de qualquer tipo de indústria, tanto em Joaquim Egídio como em Sousas.


Um breve histórico(1)

Não há uma data precisa sobre a fundação do lugarejo, mas a antiga casa da chácara Castália, a primeira que se tem notícia, mantinha uma placa datando a construção de 1842. O fundador da localidade foi o Major Luciano Teixeira Nogueira(2) , e antes ser chamado Joaquim Egídio teve duas denominações: Laranjal e São Luciano, em homenagem ao Major. Em 1885 a antiga fazenda Laranjal passou a ser propriedade de Joaquim Egídio de Souza Aranha, o Marques de Três Rios. E em 31 de dezembro de 1958 o então governador Jânio Quadros elevou o lugar a categoria de Distrito ligado a Campinas.

Durante o final do século XIX e nos primórdios do XX, Joaquim Egídio vive sua época áurea, marcada pela fartura e prosperidade advindos do café, porém a crise de 1929 inicia o êxodo rural e a posterior divisão das terras em pequenos sítios e chácaras. A praga das brocas-do-café colabora para frustrar as expectativas de emancipação do local, que continuou ligado a Campinas.

De 1932 até 34, durante a Revolução Constitucionalista, o distrito ficou isolado de Campinas devido a destruição durante as batalhas da ponte que ligava Sousas a Campinas.


Companhia Ramal Férreo Campineiro

Foi o lavrador Antônio Pompeu de Camargo o primeiro a cogitar, já a partir de 1877, sobre a necessidade de se ligar o então bairro das Cabras a um ponto da malha ferroviária paulista. Em 09 de Setembro de 1904, através de um acordo com a Companhia Paulista, a linha é inaugurada, tendo transportado durante 26 anos a produção cafeeira e estabelecido uma ligação regular do distrito com a sede municipal.

Após a desativação da Companhia, a estação é demolida na década de oitenta e, em 2000, o prédio da antiga estação de Bonde de Joaquim Egídio é reconstruído pela arquiteta Sandra Geraldi através de fotos e dos relatos orais de antigos moradores. A idéia era abrigar no novo prédio um centro de educação ambiental.


Patrimônio Histórico

O projeto de tombamento dos distritos de Sousas e Joaquim Egídio foi dividido em três fases. A primeira fase já foi concluída e em Joaquim Egídio os imóveis tombados foram a Casa do Cardeal d. Agnelo Rossi, a capela de São Joaquim e São Roque e a ponte do Padre Abel. A segunda fase do projeto prevê o resgate de ruas que se desenvolveram a partir do movimento dos tropeiros. Na terceira fase serão tombados imóveis que tiverem registro e documentos daquela época(3).

O CONDEPACC tem defendido a participação popular nas discussões de tombamento dos imóveis com o intuito de dirimir possíveis dúvidas e evitar encaminhamentos negativos.


Festas Religiosas

Os imigrantes italianos trouxeram consigo tradições sociais e religiosas. Em Joaquim Egídio realizam-se no mês de agosto, desde o ano de 1926, as festas de São Roque e do padroeiro São Joaquim. São Joaquim, segundo a tradição católica, é pai de Nossa Senhora e avô de Jesus Cristo. Santa Ana é a avó de Jesus e esposa de São Joaquim. Simbolicamente há o encontro todos os anos da padroeira de Sousas Sant'Anna com São Joaquim.

O cortejo sai da capela São Joaquim, percorrendo as principais ruas do distrito (em ida e volta) até a antiga estação férrea num percurso de aproximadamente 3 km.


Joaquim Egídio de hoje

Atualmente a região de Sousas e Joaquim Egídio tem atraído inúmeras pessoas nos finais de semana. O apelo exercido fundamenta-se no universo das práticas culturais do ambiente rural. Proliferam restaurantes que servem comida preparada nos antigos fogões a lenha, um cardápio repleto de itens considerados típicos da cultura caipira.

Os bares exploram um repertório composto por músicas sertanejas, de raiz, com a presença de muitas duplas que se dedicam ao universo musical que segundo Zan (2003)(4) "nos remete a um determinado modo de vida ou a um tipo de sociedade que, na atualidade, praticamente desapareceu." Segundo ele, a industrialização e a urbanização da sociedade brasileira, ao longo do século XX, provocaram o rompimento do equilíbrio ecológico e social desse modo de vida, mas aspectos dessa cultura ainda sobrevivem na memória de boa parcela da população brasileira.

O momento que vivemos na sociedade chamada "da globalização" produz um movimento interessante de busca identitária. Os indivíduos buscam uma quebra nesse ritmo alucinado, que é facilitada nos ambientes recriados nesses distritos com seus cantos de viola e a fumaça que se desprende dos antigos fogões a lenha.

Em função da sua localização, da caracterização física, de ocupação atual e histórica, contextualizados no âmbito regional de Campinas, verifica-se sua marcante vocação cultural e turística.

É um destino novo e promissor que vem se abrindo para os antigos distritos caracterizados por abrigar fazendas de café e, com isso, um imaginário povoado pela época em questão.




Bibliografia:

Proposta de Roteiro Cultural e Turístico no Distrito de Sousas e Joaquim Egídio. Prefeitura Municipal de Campinas, 06 de maio de 1999.
Proposta do Programa de Educação Ambiental da APA de Sousas e Joaquim Egídio. Universidade de São Paulo; Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - Departamento de Ciências Florestais. Piracicaba, 2001.



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